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A SUA CONTA BANCÁRIA ESTÁ SENDO RASTREADA.


Você sabia que suas contas bancárias estão sendo monitoradas pelo Governo através de um supercomputador conhecido como “Hal”? O apelido de Hal foi uma homenagem ao mais famoso cérebro eletrônico da ficção, imortalizado no filme “Uma Odisséia no Espaço”, em 2001.

Seu nome oficial é Cadastro de Clientes do Sistema Financeiro Nacional. Essa supermáquina, instalada no quinto subsolo do Banco Central do Brasil, foi criada especialmente para reunir, atualizar e fiscalizar todas as contas bancárias das 182 instituições financeiras instaladas no País.

Recentemente o computador recebeu a primeira carga de informações, em procedimento que durou apenas quatro dias. Em seu primeiro trabalho, o Hal criou nada menos que 150 milhões de diferentes pastas (uma para cada correntista do País), interligadas por CPFs e CNPJs aos nomes dos titulares e de seus procuradores, cruzando informações on line com cartórios, DETRANs, bancos, empresas, tudo isso nos âmbitos municipal, estadual e federal.

A previsão é de que cada dia o Hal acrescente a seus arquivos cerca de um milhão de novos registros, em informações providas pelo sistema bancário. O novo sistema está se estabilizando e deverá responder instantaneamente a cerca de três mil consultas diárias.

Todas contas que forem abertas, fechadas, movimentadas ou abandonadas, em qualquer banco do país, estará armazenada ali, com origem, destino e nome do proprietário.

O novo sistema é composto por três servidores e cinco CPUs de diversas marcas trabalhando simultaneamente, no que se costuma chamar de cluster. Este conjunto é o novo coração de um grande sistema de processamento que ocupa um andar inteiro do edifício-sede do Banco Central.

Seu poderio não vem da capacidade bruta de processamento, mas do moderníssimo software que o equipa. A inteligência artificial do Hal foi desenvolvida pelo próprio Banco Central e consumiu a maior parte dos quase R$ 20 milhões destinados ao projeto, com a compra de equipamentos e pagamento da mão-de-obra altamente especializada.

Apenas a Alemanha e a França têm sistemas parecidos no planeta, todavia, inferiores ao sistema brasileiro. No alemão, por exemplo, a defasagem entre a abertura de uma conta bancária e seu  registro no computador é de dois meses. Aqui, o prazo é de dois dias.

Não é fácil chegar perto do Hal; é preciso passar por três portas blindadas, com código de acesso especial. Visto em perspectiva, o sistema é o complemento cronológico do Sistema Brasileiro de Pagamentos (SBP), que, nos anos de Armínio Fraga à frente do BC, uniformizou as relações entre os bancos, as pessoas, empresas e o governo.

Com o Hal, o Banco Central ganha uma ferramenta tecnológica a altura de um sistema financeiro altamente informatizado e moderno. “Recuperamos o tempo perdido”, diz o diretor de Administração do BC, João Antônio Fleury. O supercomputador promete, também, ser uma ferramenta decisiva no combate a fraudes, caixa dois e lavagem de dinheiro no Brasil. “Vamos abrir senhas para que os juízes possam acessar diretamente o computador”, informa Fleury.

O Hal guarda um banco de dados que remete aos movimentos dos últimos cinco anos, mantendo sob controle 182 bancos, 150 milhões de contas e um milhão de dados bancários por dia.  Antes de sua chegada, quando a Justiça solicitava uma quebra de sigilo bancário, o Banco Central era obrigado a encaminhar ofício a 182 bancos, solicitando informações sobre um CPF ou CNPJ. Multiplique-se isso por três mil pedidos diários. São 546 mil pedidos de informações à espera de meio milhão de respostas. A partir da estréia do Hall, com um simples clique, COAF, Ministério Público, Polícia Federal e qualquer juiz têm acesso a todas as contas que um cidadão ou uma empresa mantêm no Brasil.

O arsenal disponibilizado ao Banco Central e à Receita Federal aumentou em muito o poder dos órgãos fazendários, fato que obriga os contribuintes menos cuidadosos a ficarem atentos, revendo os procedimentos e controles contábeis e fiscais praticados nos últimos 5 anos, além de verificar se os rendimentos declarados ou a declarar são suficientes para comprovar pagamentos, além das demais preocupações, como lançar corretamente as receitas, bens, etc.

 


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