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ADVOGADA CONSTRANGIDA COM VARA DO TRABALHO


Coluna publicada no Jornal O Correio de Cachoeira do Sul nos dias 24 e 25/11/2012.

PORTAL JURÍDICO


Por ZARUR MARIANO*
e-mail: 
zarur@zmadvogados.adv.br

 

ADVOGADA CONSTRANGIDA COM VARA DO TRABALHO

 


O Brasil é um país riquíssimo. Em tudo! Inclusive em situações inusitadas, em todas as áreas de atuação, em todas as profissões. Para sair um pouco da área mais técnica do direito, vamos transitar hoje no mundo das coisas inusitadas. Como o colunista milita na área do direito, logicamente abordará situação ocorrida no âmbito jurídico.

Vamos reproduzir, abaixo, uma petição (real) de uma advogada carioca “muito modesta” sem citar seu nome e registro na OAB, visando preservar sua imagem. Nessa petição ela demonstra sua total inconformidade e sofrimento com a Vara da Justiça do Trabalho.

RENÚNCIA AO PROCESSO.  “Exmo. Sr. Dr. juiz da 16ª. Vara do Trabalho do Rio de Janeiro. J. C. N., advogada do reclamante V. G. P. da S., vem, ante a presença de V. Exª, informar que, de uma forma ou de outra, resolveu renunciar aos poderes doados pelo autor na folha da procuração”.

JUSTIFICATIVA. “Que a presente renúncia tem motivos justificadores suficientes, trazendo  desânimo até a alma;  senão, vejamos agora:

1 – A ilustre advogada renunciante é considerada pela maioria a maior advogada de Duque de Caxias (RJ), a mais brilhante, pois sou competente, conheço muito o direito, o errado e o certo. Minha insatisfação é originária da mudança no nome de  ‘Justiça do Trabalho’. Antes, chamava-se Junta de Conciliação e Julgamento e agora passou a chamar-se “Vara”. Esta nova denominação me trouxe e me traz diariamente  imensos e grandes constrangimentos.

2 – Antes, para vir fazer audiências ou acompanhar processos eu entrava na Junta, e agora sou obrigada a dizer “estou entrando na Vara”, “fui à Vara”, “fiquei esperando sentada na Vara”. Não concordo. Sou mulher, evangélica e não gosto de gracejos. Deixo a “Vara” para quem gosta de vara, funcionários, varejistas, homossexuais, fiquem na vara, permaneçam na vara, trabalhem com vara. Saio desgostosa por não concordar com o termo pornográfico, vara pra lá, vara pra cá… Em tempo: Outro dia, estava entrando no prédio da Justiça do Trabalho e o meu celular tocou. Era meu marido. Ele perguntou: onde você está? E olha só o constrangimento da minha resposta: “Entrando na décima Vara”.

PEDIDO. “Assim, comunico minha renúncia. Já comuniquei verbalmente a meu ex-cliente, tudo na forma da lei. Assim posto, peço e aguardo deferimento. São João de Meriti – Rio de Janeiro, 05-05-2002. J. C. N. – Advogada / OAB – RJ xx/xxxx

 

 

*Advogado, diretor da Zarur Mariano & Advogados Associados (www.zmadvogados.adv.br).


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