divider

CONTABILIDADE DUPLA NA EMPRESA?


Coluna publicada no Jornal O Correio de Cachoeira do Sul nos dias 21 e 22/06/2014.

PORTAL JURÍDICO

Por ZARUR MARIANO*

e-mail: zarur@zmadvogados.adv.br

“Trabalhadores do conhecimento são fisicamente capazes de trabalhar até uma idade avançada, e muito além de qualquer idade convencionalmente definida como adequada para se aposentar.”(Peter Drucker).

CONTABILIDADE DUPLA NA EMPRESA?

 

Não é de hoje o entendimento, entre vários empresários, de ver a contabilidade da empresa como uma mera obrigação fiscal ou então como “um mal necessário” com a finalidade única de apurar impostos e contribuições. Esse entendimento, pensamos, não é mais aceitável nos dias atuais.

MIOPIA ORGANIZACIONAL. A contabilidade, preparada para atender, em primeiro lugar, os empreendedores, serve como uma verdadeira bússola para orientar os negócios, indicar tomadas de decisões, servir de diagnóstico para tratar e enfrentar o que deve ser objeto de ações efetivas. Se a contabilidade serve apenas para apurar impostos e contribuições, pode ter certeza, estamos diante de uma verdadeira miopia organizacional. Diante da alta competitividade dos dias atuais, as peças contábeis e tudo mais que a contabilidade pode fornecer em termos de relatórios gerenciais pode ser o diferencial até para a sobrevivência da empresa no mercado.

DOIS RESULTADOS. Em decorrência da Instrução Normativa RFB 1.422/2013, pensam alguns, passamos a olhar para dois resultados!  Por outro lado, há os que enxerguem distinções entre os critérios fiscais e societários sobre a contabilidade desde a adoção das normas IFRS, através da Lei nº 11.638/2007. Essa nova realidade veio estabelecer uma duplicidade de parâmetros e, portanto, de métodos na apuração de resultados. Com o Regime Tributário de Transição, houve a tentativa de reconciliar os critérios, sem adoção dos mesmos regramentos. Apresentar apenas ao final do exercício os efeitos e retirá-los da apuração não é tarefa tão simples.

CONCILIAÇÃO.            A Escrituração Contábil/Fiscal buscará conciliar estes aspectos, de modo que continuaremos produzindo números finais de cunho societário, na Escrituração Contábil Digital, e de natureza fiscal, no caso da Escrituração Contábil Fiscal. Na Escrituração Contábil Digital utilizaremos o critério da Lei nº 11.638/2007 e a Lei nº 6.404/76 e na Escrituração Contábil Fiscal, o Regulamento do IR, Decreto nº 3.000/1999, com as demais demonstrações estabelecidas, tais como base e apuração do IRPJ, LALUR, etc.

CONTABILIDADES DISTINTAS? Nas empresas é muito comum a existência de sistemas de informações gerenciais visando à produção de informações, indicadores, etc., para que sejam aplicados critérios de análise distintos, mas é fato também que, no âmbito contábil, poderão ser produzidos dois tipos de informações. Todavia, até que haja a total pacificação desta controvérsia, haverá sim duas apurações de resultado (fiscal e societário), porém, não se pode afirmar que estas sejam “contabilidades distintas”. Com a palavra, os colegas contabilistas!

*Advogado e Contador, diretor da Zarur Mariano & Advogados Associados.


separator

separator