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MELHORES DA ADVOCACIA=PRÊMIO “ABACAXI”?


Coluna publicada no Jornal O Correio de Cachoeira do Sul nos dias 08 e 09/12/2012.

PORTAL JURÍDICO

ZARUR MARIANO*
e-mail: 
zarur@zmadvogados.adv.br

“Vaidades das vaidades. Tudo é vaidade”. (Eclesiastes,1:2).

EM DEBATE:

MELHORES DA ADVOCADIA=PRÊMIO “ABACAXI”?

Os exploradores dos vaidosos continuam agindo.  Por isso, voltamos ao assunto. Continuamos recebendo, de alguns promotores de eventos, “comunicados” indicando-nos como um dos melhores da advocacia do Estado e do país. Mas o “troféu”, que premia também profissionais de várias outras áreas de atuação, é entregue somente àqueles que se dispõem a pagar uma considerável soma em dinheiro para participar da “solenidade” de premiação.

Sempre que questiono os promotores desses eventos a respeito dos critérios utilizados para a escolha dos agraciados, eles nunca falam claramente.

O esquema de determinados promotores consiste em disparar correspondências para escritórios de todo o país anunciando que os destinatários foram escolhidos para receber um prêmio, mas isso apenas acontece se a quantia fixada pelo promotor for paga.  E não é pouco!

Tais eventos, registre-se,  não são aprovados e muito menos reconhecidos pela Ordem dos Advogados do Brasil. O Tribunal de Ética da OAB/SP, por exemplo, considera que a promoção representa “um evento mercantil, desaconselhado pelo artigo 5º do Código de Ética da Advocacia.”

É facílimo constatar que se o advogado escolhido para a alta distinção não “comprar” os convites, mesmo sendo o mais eminente dos eminentes, ele não participará do “prêmio”. A nosso ver, a maioria dessas premiações se presta mesmo é para o prêmio “abacaxi” do que uma real premiação. Normalmente, se o “escolhido” aceitar participar da homenagem, deve fazer o pagamento e enviar o histórico de sua vida pregressa.

MELHORES DA ADVOCACIA – PREMIAÇÃO DUVIDOSA

A revista Consultor Jurídico já noticiou que a premiação dos “Melhores da Advocacia” era de natureza duvidosa e foi acionada no judiciário por isso.  E lá demonstrou que o único critério de escolha dos “melhores” pelo promotor do evento era o pagamento da “módica” quantia de 1.800 dólares e que a premiação era oferecida até mesmo a estagiários que nem haviam concluído o curso de direito.

O Judiciário, felizmente, não tem dado guarida a quem vende esses prêmios de idoneidade dúbia, explorando, claramente, a vaidade de algumas pessoas.

* Advogado, diretor da Zarur Mariano & Advogados Associados.


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