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PORTAL JURÍDICO


Coluna publicada no Jornal O Correio de Cachoeira do Sul nos dias 07 e 08/06/2014.

PORTAL JURÍDICO

Por ZARUR MARIANO*

e-mail: zarur@zmadvogados.adv.br

“O que eu posso, eu não posso como quero… às vezes!”(Padre Fábio de Melo).

O PADRE E SUAS AMANTES

Recentemente um grupo de vinte e seis mulheres italianas que se dizem apaixonadas por padres, encaminhou um fundamentado pedido ao papa, uma verdadeira petição, pedindo o fim do celibato obrigatório, para que eles possam se relacionar com mulheres e casar com elas.

 

AVENTURAS AMOROSAS.

No fundamentado pedido, as amantes revelam suas aventuras amorosas com sacerdotes da Igreja Católica e relatam o sofrimento de viver o amor proibido. Elas reivindicam um encontro com o papa Francisco para discutir suas reivindicações em relação ao fim do celibato sacerdotal. A carta foi publicada pelo site Vatican Insider, do jornal italiano La Stampa.

ROMPIMENTO DO SILÊNCIO E DAS INDIFERENÇAS. Assim inicia a carta pública escrita pelas apaixonadas mulheres:  “Querido papa Francisco, somos um grupo de mulheres de muitas partes da Itália (mas não só dela) que lhe escrevem para romper o muro de silêncio e indiferença em que nos encontramos. Cada uma de nós vive, já viveu e quer viver uma relação de amor com um sacerdote, pelo qual está apaixonada”.

SOFRIMENTO DEVASTADOR. E continuam: “Sabe-se muito pouco do sofrimento devastador a que uma mulher que se apaixona fortemente por um padre está submetida. Queremos, com humildade, por a seus pés nosso sofrimento para que algo possa ser mudado (…) para o bem de toda a Igreja”.

DECLARAÇÃO DE AMOR.Elas afirmam: “Amamos esses homens, eles nos amam e, na maioria dos casos, com toda vontade possível”, fundamentando que diante do celibato sacerdotal, restam aos padres duas opções: abandonar o sacerdócio ou viver um amor secreto. “É uma escolha dolorosa”.

 

CELIBATO OPCIONAL.    Segundo as requerentes, se o celibato sacerdotal fosse opcional, os padres passariam a servir à Igreja Católica com uma paixão ainda maior e deixariam a vida de clandestinidade, “com a frustração de um amor incompleto”. Fundamentam ainda o seu pedido dizendo que no início do cristianismo, o celibato clerical não era obrigatório, eis que institucionalizado durante a Idade Média, justificado principalmente por uma questão econômica, pois não interessava à Igreja ver suas riquezas repartidas como herança aos filhos dos padres; e também social, a fim de que os sacerdotes se dedicassem total e exclusivamente à Igreja.

O QUE DIZ O PAPA.  Não tenho conhecimento se o papa marcou o encontro para o debate e resposta à reivindicação das interessadas. Em suas poucas manifestações públicas sobre a polêmica o papa Francisco costuma mostrar-se favorável à manutenção do celibato, já tendo se posicionado no livro Sobre o Céu e a Terra, de autoria dele e do rabino Abraham Skorka que: “Apesar dos prós e contras, os frutos da manutenção do celibato são mais positivos que negativos”.

*Advogado e Contador, diretor da Zarur Mariano & Advogados Associados.


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