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VERGONHA, VERGONHA, VERGONHA!


Coluna publicada no Jornal O Correio de Cachoeira do Sul nos dias 29 e 30/12/2012.

PORTAL JURÍDICO

ZARUR MARIANO*


e-mail: 
zarur@zmadvogados.adv.br

“Política e politicalha não se confundem, não se parecem, não se relacionam com a outra, antes se negam, se repulsam mutuamente; a política é a higiene dos países moralmente sadios. A politicalha, a malária dos povos de moralidade estragada”. (Rui Barbosa).

VERGONHA, VERGONHA, VERGONHA!

 

 


Depois de oito anos de FHC e mais oito anos de Lula e dois anos de governo de Dilma Rousseff, a educação continua como vergonha nacional, exatamente como dizia Ibrahim Sued há mais de 20 anos. O Brasil ficou na penúltima posição em um índice comparativo de desempenho educacional feito recentemente com dados de 40 países. Só ficou à frente da Indonésia… Mas não é só isso! Somos campeões em acidentes de trânsito, em corrupção, em agressão e matança de mulheres, o país do mensalão, etc. etc. E nós, brasileiros, estamos aceitando passivamente o domínio da bandidagem. Estamos no final do ano e por isso trago para reflexão o texto abaixo, escrito há muitos anos, porém atual.

SINTO VERGONHA DE MIM…

“Sinto vergonha de mim, por ter sido educador de parte deste povo, por ter batalhado sempre pela justiça, por compactuar com a honestidade, por primar pela verdade, e por ver este povo já chamado varonil, enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim, por ter feito parte de uma era que lutou pela democracia, pela liberdade de ser e ter que entregar aos meus filhos, simples e abominavelmente a derrota das virtudes pelos vícios, a ausência da sensatez no julgamento da verdade, a negligência com a família, célula-mater da sociedade, a demasiada preocupação com o ‘eu’ feliz a qualquer custo, buscando a tal ‘felicidade’ em caminhos eivados de desrespeito para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim pela passividade em ouvir, sem despejar meu verbo a tantas desculpas ditadas pelo orgulho e vaidade, a tanta falta de humildade para reconhecer um erro cometido, a tantos ‘floreios’ para justificar atos criminosos, a tanta relutância em esquecer a antiga posição de sempre ‘contestar’, voltar atrás e mudar o futuro.
Tenho vergonha de mim, pois faço parte de um povo que não reconheço, enveredando por caminhos que não quero percorrer…

Tenho vergonha da minha impotência, da minha falta de garra, das minhas desilusões e do meu cansaço. Não tenho para onde ir, pois amo este meu chão, vibro ao ouvir o meu Hino e jamais usei a minha Bandeira para enxugar o meu suor, ou enrolar o meu corpo na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim, tenho tanta pena de ti, povo deste mundo!

‘De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude. A rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto’. (Rui Barbosa).

* Advogado, diretor da Zarur Mariano & Advogados Associados.


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